Otorrinopediatrica

Amigdalites

As amigalites são muito frequentes em crianças. Entretanto devemos ficar atentos, nem toda dor de garganta é amigdalite!

São amigdalites as infecções que  acometem a faringe e/ou amigdalas sendo que corretamente são chamadas de faringoamigdalites ou faringotonsilites.  Outras formas de doenças da garganta podem estar presente como traumas, tumores, etc.

Nem todos sabem, mas as amigdalties podem ser virais ou  bacterianas e portanto, nem sempre é necessário que seu tratamento seja com antibióticos.  Tanto os quadros virais como bacterianos apresentam sintomas semelhantes como febre, dor de garganta, dificuldade para engolir. Em geral os quadros virais podem estar associados também a coriza, tosse.  Em crianças pequenas pode haver vômitos, inapetência entre outros sintomas gerais, associados ao quadro.

Ao exame da orofaringe (garganta) podemos evidenciar uma mucosa orofaríngea de coloração arroxeada, com amígdalas edemaciadas e freqüentemente aumentadas de volume, geralmente há exsudato esbranquiçado sobre as amígdalas na forma de manchas puntiformes conhecidos como pus.

Setenta e cinco por cento dos casos é de origem viral, sendo os agentes causadores mais comuns: : rinovírus, coronavírus, adenovírus, herpes simples, influenza e parainfluenza,  entre outros (coxsakie, citomegalovírus, Epstein-Barr vírus.  Nos casos virais, apenas o tratamento de suporte é necessário como analgéscos, antitermicos, são necessários.

Em menor número estão as amigdalites bancterianas que são causadas por diveras bacterias sendo a principal o Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) que é responsável por cerca de 20 a 30%  destes casos em crianças em idade escolar e adolescentes. E aqui sim, são necessários antibióticos para o tratamento.

Distinguir um quadro viral de um bacteriano é importante, cada um tem seu tratamento. O diagnóstico na maioria das vezes é clínico e o médico baseia-se na história dos sintomas, no exame físico, para determinar o tratamento.

Uma diagnóstico mais preciso pode ser feito através do Teste Rápido para o Streptococcus e através da análise de um esfregaço de material que colhido da garganta e determina se há ou não a presença da bactéria.
Algumas crianças apresentam amigdalites de repetição, nestes casos devem ser investigados fatores predisponentes como respiração oral, alergias, refluxo gastro-esofágico, etc.  Estas condições devem ser controladas para reduzir o número de infecções.

Raramente as amigdalites bacterianas podem apresentar complicações como glomerulonefrite (doença aguda renal) e endocardite (acometimento das válvulas do coração) além de abscessos periamigdalianos ou do espaço profundo do pescoço.

E a retirada das amigdalas ainda tem seu papel?  Quando o paciente apresenta amigdalites repetidas e não apresenta outros fatores associados,  aí sim deve-se pensar em cirugia.  A amigdalectomia é indicada para crianças com amigdalites de repetição com mais de 7 episódios em 1 ano ou mais de 5 episódios por ano por mais de 2 anos.

A avaliação de um médico na presença da dor de garganta é obrigatória, pois ele definirá um diagnóstico preciso e a terapêutica correta, evitando o uso inadequado de antibióticos, por exemplo. E investigando possíveis fatores associados que podem desencadear estes problemas.

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